23/08/2021 às 10h26min - Atualizada em 26/08/2021 às 00h00min

Gabinete Português de Leitura promove Minicurso sobre “Fundamentos de Língua Iorubá-Nagô para Iniciantes”

Inscrições abertas

SALA DA NOTÍCIA GPL Bahia
www.gplsalvador.org
Divulgação
O Gabinete Português de Leitura da Bahia promove mais uma edição do Minicurso “Fundamentos de Língua Iorubá-Nagô para Iniciantes”. Os encontros serão realizados de 23 de setembro a 21 de outubro de 2021 (terças e quintas, das 17h às 19h), através da plataforma zoom, com certificação e carga horária de 20 horas (aulas ao vivo e ensino/aprendizado suplementar). Será ministrado pelo professor mestre e Mawó Adelson de Brito, Ministro de Grande Confiança e Embaixador entre as Culturas Jeje e Nagô.

Durante o curso, o público poderá compreender que a língua Nagô falada no Candomblé é, em verdade, uma língua conversacional, ou seja, uma língua viva (como o Inglês, o Frances, o Português, etc.). Além disso, será demonstrado que a língua Nagô ou língua Iorubá possui uma estrutura formal léxica e sintática. Quer dizer, a língua Iorùbá-Nagô falada todos os dias nas Casas de Candomblé de Queto ou Candomblé Nagô e nas práticas litúrgicas das religiões de matriz africana relacionadas com essas tradições afrorreligiosas (não é uma língua morta como é o Latim, por exemplo).

“Em verdade, a Língua que chamamos de Língua Nagô é a Língua Iorubá e que, por conta da Diáspora, é falada em várias partes do mundo pelos Iorubás e seus descendentes, como é o nosso caso, descendentes dos Nagôs que somos. Os exemplos proporcionados pela relação entre o Português de Portugal com o Português de Angola, ou de Moçambique ou da Guiné–Bissau, espelham o mesmo padrão que acontece entre o Nagô da Bahia e o Iorubá da Nigéria. São uma só língua, guardados os particulares sotaques”, explica o professor Adelson de Brito.

A língua Iorubá-Nagô já foi uma Língua franca entre os negros que viviam escravizados na Bahia. Só a título de esclarecimento, Língua franca é a forma de comunicação oral eleita por grupos de pessoas que convivem em mesmo espaço geográfico, mas que não comungam uma mesma língua, como foi o caso das pessoas escravizadas que viviam na Bahia do período colonial.

É preciso lembrar que os portugueses classificavam as diversas etnias africanas de forma genérica, sem levar em conta suas respectivas línguas e culturas. Em termos gerais, pode-se classificar as culturas africanas vindas ao Brasil em três grandes grupos: sudaneses, guinenos-sudaneses muçulmanos e bantus. Questões étnico-religiosas aliadas a experiências e vivencias urbanas trazidas por grupos étnicos de fala Iorubá, levaram os nagôs a posição de grupo gerador de influência entre os negros de tal sorte que a sua língua se tonou uma forma de comunicação oral muito popular entre os vários grupos étnicos que conviviam por toda a região do Recôncavo.

O investimento de R$ 50,00 (cinquenta reais) é simbólico, para manutenção das atividades do GPL. O link de inscrição está disponível no site www.gplsalvador.org ou na plataforma sympla. 

A iniciativa integra a programação do projeto “Gabinete Português de Leitura: a cultura portuguesa viva na Bahia”, com apoio financeiro do Estado da Bahia através da Secretaria de Cultura (Programa Aldir Blanc Bahia) via Lei Aldir Blanc, direcionada pela Secretaria Especial da Cultura do Ministério do Turismo, Governo Federal.
 
Sobre o instrutor: Adelson de Brito é Mestre em Saúde, Ambiente e Trabalho pela Faculdade de Medicina da UFBA e Licenciado em Física. É Sacerdote do Candomblé Jeje e exerce as suas funções religiosas na Tradição de Matriz Africana Jeje-Nagô, no cargo de Mawó (Ministro de Grande Confiança e Embaixador entre as Culturas Jeje e Nagô) tem se tornado o foco da sua atuação.

SAIBA MAIS:
O idioma Iorubá é Patrimônio Imaterial do Rio de Janeiro desde setembro de 2018 e de Salvador (cidade mais negra do mundo fora do continente africano), desde dezembro de 2019. A língua Iorubá-Nagô é falada em vários países do mundo, como Brasil, em Cuba, Togo, Costa do Marfim, Venezuela, Trinidad-Tobago, no Sul dos Estados Unidos, no Togo. Os Iorubas são um grupo étnico da África Ocidental. No mundo todo, eles somam cerca de 45 milhões de indivíduos dos quais 35 milhões vivem na Nigéria. Eles constituem cerca de 20% da população daquele país, junto com outras etnias, dentre as quais estão: Akan, Hausá-Fulani, e Igbo, os Iorubas formam um dos maiores grupos étnicos na África. São uma metaetinia, um guarda-chuva étnico que abriga várias sub-etnias, tais como: os Kétu, Òyó, Ìjèṣà, Ifè, Ifòn, Ègbà, Èfòn etc. 

 
 
 
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