18/08/2021 às 17h47min - Atualizada em 20/08/2021 às 00h00min

Escola e família unidas no ensino híbrido para personalizar a Educação Infantil remota

(*) Vanessa Queirós Alves (*) Karlla Tathyanne Coelho

SALA DA NOTÍCIA NQM
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Olhando para as especificidades que a Educação Infantil está exigindo nestes anos atípicos de 2020 e 2021, se faz necessário discutir algumas questões. Dentre elas, como se assume e se entende o ensino híbrido na Educação Infantil. Ou seja, quais características esse ensino possui quando voltado às crianças pequenas, no contexto atual. Tendo em vista que a proposta de ensino híbrido foi concebida como uma integração de tecnologias digitais para o ensino, na perspectiva de que existem múltiplas maneiras de ensinar e de aprender. 

O ensino híbrido é muito mais do que uma tecnologia, uma sequência de atividades, é uma proposta que combina técnicas do ensino presencial com técnicas do ensino on-line. Trata-se de algo amplo e que perpassa por uma mudança coletiva no jeito de pensar da sociedade. Afinal, essa mesma sociedade identifica o local em que a escola está situada como o centro do ensino e aprendizado. Ela não é vista como um local de transmissão de conhecimento de forma passiva entre professores e alunos, mas como um espaço de referência para se ensinar e se aprender de forma dinâmica, inovadora e colaborativa. 

Pensar em ensino híbrido é entender que o estudante é o sujeito ativo, o centro da aprendizagem, e o professor é o mediador do conhecimento. É fundamental, portanto, compreender que os estudantes aprendem de formas diferentes. Pode-se dizer que a modalidade híbrida é uma personalização do ensino, pois cria ambientes personalizados de ensino e aprendizagem. 

Contudo, o ensino híbrido na Educação Infantil tem particularidades que diferem de outras etapas de ensino. Segundo a Organização Mundial da Saúde, crianças menores de 1 ano de idade não devem ser expostas a nenhum tipo de tela. E, de acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria, crianças de 2 a 5 anos devem fazer uso de telas 1 hora por dia, no máximo.  Considerando tais recomendações, para as turmas de crianças até 2 anos de idade, o ensino híbrido com uso de tecnologias digitais é inviável.

Como proposto nos campos de experiência da Base Nacional Comum Curricular, as atividades propostas devem ser realizadas tanto na escola quanto em casa, em uma perspectiva de exploração dos espaços em que a criança tem contato, e dos seus sentidos por meio de diversos materiais. Além disso, devido ao tempo de distanciamento dessas crianças das escolas, é fundamental uma aproximação ainda maior das famílias com as instituições para saber quais atividades são apropriadas e o que é possível realizar em casa para o melhor desenvolvimento das crianças.

Também é necessário pensar que as atividades direcionadas a crianças de 3 a 5 anos – ainda que planejadas com vídeos curtos, fracionadas e propondo atividades combinadas – devem mesclar tecnologia digital com outros tipos de recursos, e prever um tempo de realização adequado à capacidade de atenção e concentração das crianças. 

O Conselho Nacional de Educação elaborou, no ano passado, diretrizes de orientação para as escolas da Educação Básica e instituições de Ensino superior durante a pandemia da COVID-19. Há uma indicação de que, na Educação Infantil, sejam criadas ferramentas de interação virtual com as famílias (para estreitar os vínculos). E, segundo eles, de forma prioritária as soluções pedagógicas devem considerar que crianças nessa etapa aprendem brincando. 

Sendo assim, para a Educação Infantil acontecer em um contexto híbrido de aprendizagem é imprescindível uma aproximação e entender os recursos, facilidades e dificuldades das famílias no acompanhamento das atividades. Além disso, é preciso realizar um diagnóstico de cada estudante para entender seu processo de desenvolvimento, a fim de que haja maior personalização no ensino. Ambas as instituições, escola e família, precisam ter empatia, pesquisa e diálogo para que a criança – o centro do processo educativo – aprenda e se desenvolva da melhor maneira possível.  

(*) Vanessa Queirós Alves é graduada em Pedagogia e História, doutoranda em Educação e professora do Centro Universitário Internacional UNINTER 
 
(*) Karlla Tathyanne Coelho é graduada em Pedagogia, especialista em tutoria em EAD e professora do Centro Universitário Internacional UNINTER
 
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