24/05/2021 às 18h47min - Atualizada em 25/05/2021 às 00h00min

Indústria tem desempenho negativo no primeiro trimestre

Resultado de -0,4% indica que o setor enfrentará dificuldades nos próximos meses, segundo análise do NEC-Facamp

DINO
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Indústria tem desempenho fraco no primeiro trimestre de 2021


A queda de -2,4% no desempenho da indústria brasileira em março de 2021, em comparação com fevereiro, é reflexo do agravamento da pandemia e um indício de que os próximos meses serão de dificuldades para o setor. A avaliação é do Núcleo de Estudos de Conjuntura (NEC) da Facamp (Faculdades de Campinas). Além disso, segundo o NEC, o resultado contribuiu para que a atividade industrial fechasse o primeiro trimestre deste ano com uma performance inferior à do quarto trimestre de 2020 (-0,4%).

O comportamento da indústria em março, revela o estudo, não foi uniforme. Alguns segmentos enfrentaram maiores adversidades, como o de vestuário e acessórios, que contabilizou uma retração de -14,1% em relação a fevereiro. O mesmo ocorreu com o setor de fabricação de móveis (-9,3%) e montagem de veículos automotores, reboques e carrocerias (-8.4%). “O desempenho negativo desses setores envolve não somente os impactos do recrudescimento da pandemia sobre a demanda agregada, mas também as dificuldades de acesso e reposição de insumos industriais, especialmente aqueles importados. Tais quebras nas cadeias produtivas contribuíram inclusive para a paralisação da produção no setor automobilístico”, aponta o economista Saulo Abouchedid, coordenador do NEC.

Em contraposição, observa Abouchedid, alguns setores obtiveram resultados positivos nos períodos confrontados. A indústria extrativa, puxada pelo crescimento dos preços das commodities, alcançou um aumento de 5,5% na produtividade. “Diante das dificuldades de recuperação do mercado interno, por causa da crise sanitária e da redução expressiva das medidas emergenciais de apoio às empresas e à manutenção do emprego e da renda, a principal esperança de dinamismo para os próximos meses recai sobre o setor externo”, acrescenta o economista.

O docente observa, ainda, que o aumento de preço dos insumos industriais – explicado em parte pela desvalorização cambial –, a piora dramática da crise sanitária e as dificuldades logísticas em algumas cadeias comprometem a rentabilidade e as expectativas de demanda do setor. “Neste contexto, a prorrogação das medidas emergenciais de combate à crise e a diminuição da pressão de preços e da escassez em setores-chave da indústria serão os termômetros para a recuperação nos próximos meses”, entende Abouchedid.

De acordo com o professor da Facamp, é preciso observar também que a quebra de importantes elos das cadeias produtivas internas ainda representa o maior o obstáculo estrutural para a retomada sustentável da atividade industrial no país. “O esvaziamento do tecido industrial, em curso desde os anos 1990, implica na perda de competitividade estrutural de importantes segmentos industriais, o que, por sua vez, dificulta ainda mais a recuperação do setor em momentos de elevada incerteza”, finaliza.

Crédito

Em meio a um cenário desafiador, a indústria sinaliza para a necessidade da concessão de crédito, para que o setor possa continuar a trajetória de recuperação verificada nos meses anteriores. Sondagem mensal divulgada no final de abril pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) em Campinas indicou que 61% das afiliadas da entidade consideram que a disponibilidade de crédito será “fundamental e obrigatória” para o avanço do setor. Outras 39% avaliam como “importante”' a oferta de recursos.

Os números, conforme o vice-diretor do Ciesp-Campinas, José Henrique Toledo Corrêa, mostram que as empresas precisam de crédito para voltar ao mesmo patamar de produção pré-pandemia, principalmente porque a lucratividade delas tem recuado. De acordo com a pesquisa da entidade, mais da metade (55%) das indústrias apontou que o lucro referente às vendas em março foi abaixo do alcançado no mês de fevereiro.

Corrêa analisa que o resultado decorre dos impactos da segunda onda da pandemia de covid-19. "Com o aumento de casos em março, a indústria voltou a sentir os impactos. Por isso, o Ciesp tem buscado fazer intervenções junto ao Governo Federal, além de procurar a aproximação com fintechs para ter dinheiro mais barato para as empresas", revela o dirigente.



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