13/04/2021 às 17h40min - Atualizada em 06/05/2021 às 21h20min

Produtores querem levar banha de porco brasileira para China

Segmento da banha fortalece a suinocultura, busca conscientizar público consumidor e se defender de golpistas que usam mercado para lesar compradores

DINO
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Banha de porco


A banha de porco tem alavancado a suinocultura nos últimos meses e reforçado a cultura do campo nas cidades. Em destaque novamente após a alta do óleo de cozinha, a banha ampliou sua participação no mercado local também por protagonizar uma reviravolta: estudos mais recentes condenam as propriedades do óleo vegetal e absolvem a banha.

Mas o produto também já faz sucesso lá fora e alavanca a suinocultura. Em 2020, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), ocorreu um aumento de 37% de exportações em relação a 2019.
Há dois anos, uma grande porta se abriu: após pedido da ABPA, o governo e mercado chinês autorizaram a exportação de gordura comestível de porco do país. O fato foi manchete nos jornais em 2019, com o próprio lobby do presidente Jair Bolsonaro, que explicou a reviravolta em uma publicação nas redes sociais: “Para suprir uma lacuna de demanda deixada pela peste suína, o governo chinês autorizou exportadores de carne de porco do Brasil a embarcar também a gordura comestível do animal. A medida atende a um pedido feito pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)”.

As projeções da ABPA são as melhores possíveis, já que em 2020 ocorreu um avanço de 8% em relação ao ano anterior. Para ter acesso ao mercado chinês é preciso esforço e prospecção. O caso da produtora goiana Maria Angélica é um exemplo. Em 2019, logo após a abertura da China, ela enviou uma equipe para Macau, apresentou sua banha na Feira Internacional e manteve contatos com a Câmara de Desenvolvimento e Negócios Brasil e China (CDNBC).

Agora é a carne que abre as portas para a banha. Nas últimas décadas, o segmento evoluiu da produção de banha de porco até carnes variadas, como picanha de porco. De acordo com o relatório Lard Production, da FAO (Food and Agriculture Organization), o Brasil é o terceiro produtor no mundo de banha e quarto na produção de carne. Todavia, o que tem desempatado a disputa com a concorrência é a banha – que introduziu a suinocultura no país no começo do século passado.

De acordo com Maria Angélica, por 50 anos, a banha dominou o interior do país, sendo elemento cultural e nutricional do campo. “Eu vivi esta realidade. A banha tinha uma grande presença na cozinha, servindo a tudo, de alimentos salgados aos quitutes de confeitaria. Mudavam-se os ingredientes, mas a banha permanecia na culinária”.

A suinocultura mudou o foco da produção nos anos 1950. Segundo Maria Angélica, que fabrica sua banha suína em Goiás, nas décadas passadas, o Brasil teria reduzido a produção de banha para avançar no mercado de carne. Como os óleos vegetais surgiram com intensa propaganda, inclusive com críticas aos usuários da proteína animal, restou aos produtores buscarem animais que propiciam mais percentual de carne do que gordura.

Hoje, diz Maria Angélica, acontece um “justo resgate da cultura da banha de porco". A nutricionista Heloísa Cosmo afirma que o auge no uso da banha ocorreu quando não existiam refrigeradores e a substância era utilizada para a conservação das carnes. Mas ela explica que hoje os produtores se readequaram e têm foco na exportação. A cooperativa em que trabalha exporta 85 mil toneladas ao mês para a Bolívia – com latas de 16 quilos.

Maria Angélica cita diversas propriedades que proporcionaram o resgate da banha: menor risco de problemas cardíacos, presença das vitaminas A e complexo B e o caráter insípido, já que ao ser usada nos alimentos maximiza o sabor.

Fraudes
A suinocultura tem causado uma verdadeira corrida no mercado. A abertura para as exportações despertou também fraudadores, especialistas em negociar, receber e não enviar as mercadorias para fora do Brasil.
A ABPA está de olho nas ações, que podem prejudicar o bom momento comercial do segmento. As fraudes envolvem várias ações: clonagem de sites de empresas exportadoras, boletos de vendas que não aconteceram, falsificação de rótulos de produtos que não foram produzidos no Brasil, criação de escritórios fantasmas totalmente estruturados (inclusive com contas bancárias), entre outros.
“ABPA tem trabalhado junto a entes governamentais especializados para coibir cada dia mais esta fraudes, que estimamos já ter alcançado 1 mil casos nos últimos cinco anos”, informa o presidente da ABPA, Ricardo Santin, em entrevista realizada pela ABPA após lançamento de campanha contra os fraudadores.



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