06/05/2021 às 11h34min - Atualizada em 06/05/2021 às 13h21min

Relatório do BC sobre os dois primeiros anos do Cadastro Positivo destaca o aumento da competição como uma das contribuições para consumidores e empresas

Na visão da Quod, os resultados serão ainda mais expressivos quando se completar a inclusão dos dados dos setores de telecom, utilities e varejo

DINO


O relatório que o Banco Central encaminhou ao Congresso Nacional sobre os resultados alcançados com as alterações promovidas pela nova lei do Cadastro Positivo traz um panorama favorável. E um destaque é para o aumento do número de competidores no mercado financeiro, que já começa a possibilitar mais opções de escolha para consumidores e empresas, na hora de contratar crédito.

Essa é a avaliação da Quod, uma das principais empresas de inteligência de dados do Brasil e uma das operadoras do Cadastro Positivo. "O estabelecimento de uma nota de crédito [escore] para cada consumidor, definida de acordo com o pagamento de suas operações de crédito, de serviços continuados como de luz, água e telefone, por exemplo, irá, sem dúvida, tornar a análise de crédito mais inclusiva e justa", destaca Ricardo Cervellini Thomaziello, diretor de dados (CDO) da Quod.

Ele observa que, embora o Cadastro Positivo tenha sido sancionado pela Presidência da República em abril de 2019, só passou a vigorar na prática em janeiro de 2020. Após o registro dos birôs gerenciadores da base de dados do Cadastro Positivo junto ao Banco Central e depois de cumpridos os 60 dias previstos em lei para que utilizassem os dados enviados pelas instituições financeiras.

Um dos principais destaques do relatório do Banco Central, entregue nesta segunda-feira, 3, ao Congresso Nacional, foi o efeito do Cadastro Positivo sobre a redução do spread bancário — a diferença entre a taxa de captação de recursos pelos bancos e a cobrada dos clientes nos empréstimos. De acordo com o documento, o comportamento do spread bancário, segundo um estudo empírico das operações de crédito pessoal não consignado para novos tomadores, demonstrou uma redução média de 10,4% dos spreads nas operações, quando comparado tomadores com pontuação no Cadastro Positivo com aqueles sem pontuação. Isto equivale a 31 pontos percentuais quando considerada a taxa de juros média de 299% ao ano.

O BC destacou também que os bancos começaram a usar o Cadastro Positivo em seus processos de avaliação de crédito em julho de 2020 e isso os ajudou a discernir o que era um problema conjuntural de uma questão estrutural de inadimplência de empresas e consumidores durante a pandemia.

Outro ponto positivo apontado pelo relatório é que a inclusão de informações do Cadastro Positivo nas pontuações de crédito resultou em migração de pessoas físicas entre faixas de risco de crédito, o que fez com que cerca de 41% migrassem para faixas de menor risco, 33% se mantivessem na mesma faixa e 26% migrassem para faixas de maior risco. Já para os cadastrados pessoa jurídica, 30% se beneficiaram com migração para faixas de menor risco, metade se manteve na faixa de risco e 20% passaram a faixas de maior risco.

Segundo Thomaziello, o relatório do BC confirma algumas previsões iniciais. "Por exemplo, aumentou o volume de crédito, mais consumidores foram incorporados ao mercado graças a uma melhor análise de crédito e a inadimplência diminuiu, assim como houve uma redução nas taxas de juros e no spread", observa.

Na opinião dele, à medida que entrarem os dados de outros setores, como os de telecom, utilities e varejo, o Cadastro Positivo vai favorecer mais pessoas que não têm conta em banco e necessitam de crédito. "Com isso, teremos condições de ampliar o escopo de consumidores e estabelecer um escore com mais acurácia, definido não apenas a partir de empréstimos bancários, financiamentos imobiliários e cartão de crédito, mas também do pagamento de outras obrigações mensais."

Thomaziello aponta ainda outros benefícios que a ampliação do Cadastro Positivo pode gerar para o país. Com base em estudo da Associação Nacional dos Bureaus de Crédito (ANBC), ele cita a possível inclusão de 22 milhões de novos consumidores sem acesso ao crédito, queda potencial de 45% na inadimplência e injeção de R$ 1,3 trilhão na economia.

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