11/11/2020 às 17h32min - Atualizada em 11/11/2020 às 17h36min

Jovens brasileiros abandonados pelos pais conseguem legalização nos Estados Unidos

A medida conhecida como Special Immigrant Juvenile (SIJ) beneficia diretamente jovens imigrantes submetidos a maus-tratos na infância, incluindo abuso, negligência ou abandono.

DINO
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Stephen Bandar (ao centro) é um dos maiores especialistas do país em SIJ


BOSTON – Para o advogado de imigração Stephen Bandar, apesar de todos os esforços recentes do governo tentando diminuir as chances e caminhos para a legalização nos Estados Unidos, nem todas as portas estão fechadas aos imigrantes no país.

Isso se torna claro com os depoimentos de brasileiros beneficiados com o green card através do Special Immigrant Juvenile (SIJ), um programa que beneficia diretamente jovens imigrantes submetidos a maus-tratos na infância, incluindo abuso, negligência ou abandono.

Enquanto o presidente Donald Trump pressiona ruidosamente por uma barreira física na fronteira sul do país, os jovens que afirmam ser elegíveis para proteção sob o programa Special Immigrant Juvenile enfrentam outra barreira menos divulgada: aumento da demanda por papelada.

Os Serviços de Cidadania e Imigração dos EUA (USCIS) aumentaram recentemente as demandas por documentos adicionais por meio de "Solicitações de Provas" e "Avisos de Intenção de Negar", que podem encerrar casos ou paralisar por meses.

Segundo especialistas, a escolha do advogado certo é o primeiro passo para o processo não encontrar obstáculos.

O brasileiro Jonatas Alves, 21 anos, pode se considerar um imigrante de muita sorte. Ele recebeu seu green card em menos de um ano justamente pela eficiência na apresentação dos documentos.

Após sair do interior de Rondônia há 1 ano e 8 meses onde vivia com os avós, Jonatas desembarcou em Massachusetts com o sonho de ter um futuro sem as dificuldades de sua infância. Atendido pelo escritório do advogado Stephen Bandar, seu processo foi aprovado com muita rapidez.

“Quando eu falo com as pessoas ninguém acredita que tenha sido tão rápido o meu processo. Da consulta com Stephen Bandar até receber o meu green card foram menos de 12 meses. Agora, quero começar uma vida digna. Quero aprender inglês e me tornar um bom profissional na minha área”, disse. O brasileiro trabalha na área da construção civil.

Sorte semelhante teve a capixaba Kelly Vieira de Souza, 21 anos. Solteira com dois filhos pequenos (um menino de seis anos e uma menina de dois), a brasileira sonha em terminar seus estudos, cursar uma faculdade de estética e dar uma vida saudável e sem dificuldades a suas crianças.

Morando em Lowell, Massachusetts, há 2 anos e meio, seu processo também foi acompanhado por Stephen Bandar e levou menos de um ano para ser aprovado.

“É um sonho que conquisto. Estar legal no país, viver dignamente e ajudar meus filhos”, afirma.

 

Esses pedidos de proteção especial dispararam, segundo dados oficiais. Os críticos dizem que o programa é permissivo demais, enquanto os defensores dizem que é um dos poucos caminhos disponíveis para crianças vulneráveis ​​que buscam permanecer legalmente nos Estados Unidos. Desde que Trump assumiu o cargo, as aprovações caíram, enquanto as negações estão aumentando.

 

O programa permite que imigrantes com menos de 21 anos solicitem residência permanente nos Estados Unidos se um tribunal determinar que eles precisam de proteção e que retornar a seus países de origem não seria seguro.



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