09/11/2020 às 10h45min - Atualizada em 09/11/2020 às 10h51min

Juros baixos impulsionam crescimento do mercado imobiliário durante pandemia

Aumento de crédito para financiamento de imóveis concedido pela Caixa Econômica Federal contribuiu para o resultado positivo no setor

DINO
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Apesar da pandemia provocada pelo novo coronavírus ter desacelerado a economia nacional e mundial, o mercado imobiliário segue crescendo e registrando números significativos. De acordo com os dados do Boletim de Conjuntura do Sindicato da Habitação do Distrito Federal (Secovi/DF), foi registrada uma evolução de 40,5% no valor de financiamentos imobiliários apenas nos sete primeiros meses de 2020 em relação ao mesmo período do ano anterior.

Segundo os especialistas, os principais motivos para esse crescimento na contramão da maioria dos outros segmentos foram a baixa taxa de juros do crédito habitacional e a própria pandemia da Covid-19, que alterou hábitos e necessidades de parte da população.

Esses números expressivos também são confirmados pelo balanço mensal da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), que registrou um aumento de 58% nas vendas de novas unidades habitacionais em julho, em comparação ao mesmo período no ano passado. No total, foram comercializadas 13.023 unidades no Brasil, sendo o melhor resultado mensal do indicador desde maio de 2014.

O setor ainda foi estimulado por uma medida da Caixa Econômica Federal, que anunciou a substituição da pausa no pagamento do financiamento imobiliário , o qual foi concedido no início da pandemia com a possibilidade do comprador pagar apenas 50% da mensalidade por até três meses, ou de 50% a 75% por até seis meses. Com isso, a expectativa da instituição financeira é conceder mais R$ 14 bilhões em crédito imobiliário até o final do ano por meio de recursos aportados na poupança.

Um exemplo desse cenário favorável é o mercado imobiliário da cidade de São Paulo. Conforme os dados de uma pesquisa realizada pelo departamento de Economia e Estatística do Secovi-SP (Sindicato da Habitação), somente no mês de setembro de 2020 já foram comercializadas 5.147 unidades residenciais novas na cidade. Esse desempenho significa um recorde na série histórica para o mês, além do crescimento de 19,2% em relação a setembro do ano passado.

Mesmo com o registro da queda de 18,9% nas vendas em relação a agosto deste ano, quando foram vendidas 6.350 residências, o acumulado dos últimos 12 meses apresenta um saldo positivo de 12,7% nas vendas em relação ao mesmo período de 2019. Ainda de acordo com a pesquisa, apenas o município de São Paulo foi responsável pela comercialização de 49.715 unidades residenciais, entre outubro de 2019 e setembro de 2020.

Dados revelados pela Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp) mostram que a cidade de São Paulo registrou no mês de setembro o lançamento de 6.238 unidades residenciais - um saldo 22,4% abaixo do balanço de agosto, mas 40,4% acima do total de setembro de 2019 (4.444 unidades). Somados os registros mensais dos últimos 12 meses (outubro de 2019 a setembro de 2020), verifica-se que a capital paulista lançou 56.646 unidades, 1,3% acima das 55.927 unidades lançadas no mesmo período do ano anterior (outubro de 2018 a setembro de 2019). Desse montante, 42% das vendas são representadas por imóveis econômicos, porém, em VGV (Valor Global de Vendas), a participação foi de 14,4%.

Após a taxa Selic alcançar um dos patamares mais baixos da história , caindo de 2,25% para 2% ao ano, muitos investidores sentiram a necessidade de buscarem novas opções de investimentos, retirando seus aportes da renda fixa, como CDB (Certificado de Depósito Bancário), CDI (Certificado de Depósito Interbancário) e títulos públicos. A Bolsa de Valores, que geralmente surge como uma opção, também deixou de ser atrativa, tendo em vista a instabilidade das empresas e as oscilações constantes das ações. Já os imóveis mantêm maior estabilidade de valor e rentabilidade .

Isso é confirmado pelos números: os financiamentos de imóveis com recursos da poupança cresceram aproximadamente 30%, enquanto o número de financiamentos imobiliários concedidos pela Caixa Econômica Federal cresceu mais de 20%, somente no primeiro semestre deste ano.

Seja para revender ou alugar, após o período de valorização imobiliária, a compra de imóveis voltou a ser uma tendência de investimento do brasileiro . Na cidade de São Paulo, por exemplo, casas, sobrados e apartamentos têm apresentado uma demora de 30 a 82 dias para serem alugados, segundo informações da Pesquisa Mensal de Valores de Locação Residencial de São Paulo, do Secovi-SP (Sindicato da Habitação), responsável por monitorar o comportamento do mercado de aluguéis na capital paulista.

Ainda segundo o levantamento, o preço dos aluguéis subiu 1,30% no mês de setembro, se comparado ao mês de agosto. No acumulado do ano foi registrado um reajuste de 0,75% no período de janeiro a setembro e de 0,14% nos últimos 12 meses.



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