02/05/2022 às 08h54min - Atualizada em 02/05/2022 às 09h20min

Brasil busca ampliar conexão com a internet levando a regiões necessitadas

Mesmo com acesso por grande parte da população brasileira, regiões como zonas rurais e cidades pequenas sofrem para utilizar essa ferramenta no trabalho e em escolas

DINO
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No ano de 2021, o Governo Federal Brasileiro, por meio do Programa Wifi Brasil, visa distribuir internet gratuita para regiões de difícil acesso no país. Através da lei 14.173/21, haverá uma redução dos encargos para as estações terrenas de internet via satélite. O WIFI Brasil, de acordo com o governo brasileiro, será norteado por quatro ações: ampliação de acesso à internet, no modelo via satélite, e inclusão de famílias de alunos da educação básica; acesso à recursos educacionais digitais; participação remota de alunos em atividades educacionais e políticas públicas que implementem a conectividade.

Segundo o governo, “o programa WIFI Brasil é direcionado, prioritariamente, para comunidades em estado de vulnerabilidade social, em todo o Brasil, em locais não atendidos por prestadoras de serviço de internet. Os pontos de conexão Wi-Fi Brasil Livre são instalados em locais em que inexiste oferta adequada de acesso à internet em banda larga”.

A conexão com a internet é algo indispensável pela sociedade nos tempos atuais, sempre presente em momentos importantes do cotidiano. De acordo com levantamento do Comitê Gestor da Internet do Brasil, centro responsável por coordenar e integrar as iniciativas relacionadas ao uso e funcionamento da Internet no Brasil, em 2020, o Brasil chegou a 152 milhões de pessoas com acesso à internet, com um aumento de 7% em relação ao ano anterior. A pesquisa mostra, portanto, que 81% da população com mais de 10 anos possui internet em casa. 

Mesmo com acesso chegando à maioria da população, há no país regiões onde se chega pouca ou nenhuma conexão com a internet. Em uma pesquisa realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mostrou que, no mesmo ano, 25% dos brasileiros não possuem internet, sendo 46 milhões de pessoas no país no total. Se levarmos em conta apenas pessoas que vivem em áreas rurais, esse percentual chega a 53,5%, contra 20,6% de quem vive em áreas urbanas. 

Esse problema afeta também o mercado de trabalho. De acordo com o Instituto Locomotivas e a empresa de consultoria PwC, essas condições dificultam o dia a dia de uma parcela da população que trabalha de maneira remota, que alegam problemas de instabilidade do sinal, velocidade da conexão, qualidade e até mesmo falta de conhecimento para usar a internet no trabalho. Se conectar no campo também tem sido problemático. Segundo o Ministério da Agricultura e a associação ConectarAgro, a conexão com a internet tem avançado nos últimos anos em regiões rurais, porém 73% das propriedades do campo ainda não possuem sinal. 

Em relação ao mundo virtual para fins educativos, quase metade (48%) das escolas brasileiras que se localizam em zonas rurais operam sem conexão com a internet, conforme o levantamento do TIC Educação. Se levarmos em consideração às zonas urbanas, esse percentual cai para 46%. Nas regiões do Norte do país, 48% da escolas não possuem internet em 2020 e 23% no Nordeste. Para efeito de comparação, nas demais regiões do Brasil, esse percentual cai consideravelmente, tendo 6% no Sudeste, 3% no Sul e 2% na região Centro-Oeste.

Murillo Trivella, especialista em telecomunicações, diz que a conexão de internet via satélite, escolhida pelo governo, atende às necessidades de quem mora em locais mais afastados dos grandes centros urbanos, como zonas rurais e pequenas cidades, onde não há opção de internet via cabo ou fibra óptica. Porém, ele relata que essa não é a mais adequada para quem necessita de uma conexão sem interferências, por trazer alta instabilidade em dias de chuva.

De acordo com Gabriel Corrêa, gerente de políticas educacionais da ONG Todos Pela Educação, as desigualdades brasileiras, como dificuldades no acesso à internet em áreas rurais ou mais afastadas dos grandes centros, já existiam e foram agravadas pela pandemia do novo coronavírus. Segundo ele, a tecnologia e o acesso à internet ajudam no desenvolvimento dos alunos nas escolas, mas existem outras alternativas.

“Não dá para achar que todos os alunos têm um celular à disposição deles. Há casas em que só existe um aparelho, usado pelo pai, por exemplo, que trabalha como motorista de aplicativo. O filho só vai poder acessar a internet à noite, depois do expediente”, afirma .Precisamos buscar estratégias diferentes, porque os cenários variam muito no país. O ensino à distância pode usar a internet para os grupos que têm acesso a ela. Mas outras alternativas devem existir, como aulas pela TV ou distribuição de cadernos impressos de exercício”, diz Corrêa.



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