29/11/2021 às 18h01min - Atualizada em 30/11/2021 às 00h00min

Inscrições para formação escolar gratuita de jovens e adultos termina nesta terça (30)

Medida faz parte de parceria da FAEP com o EJA (Educação de Jovens e Adultos) e vai contemplar a população carente, com reserva de 20% das vagas para pessoas trans

SALA DA NOTÍCIA Mariana Mascarenhas

De acordo com o Mapeamento de Pessoas Trans na Cidade de São Paulo, 58% dos entrevistados – incluindo mulheres e homens trans, travestis e pessoas não-binárias – realizam trabalho informal ou autônomo, com curta duração e sem contrato. Essa é a segunda fase do estudo, divulgado em junho de 2021, que envolveu 1788 entrevistados e foi realizado pelo Centro de Estudos de Cultura Contemporânea (Cedec) junto à Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo.

A partir desses dados, percebemos a necessidade de avançarmos e de eliminarmos barreiras que impedem a ascensão profissional da comunidade LGBTQIA+. Pensando nisso, a FAEP (Faculdade de Educação Paulistana), situada no bairro Parada de Taipas, região noroeste de São Paulo, está desenvolvendo um projeto que visa oferecer formação educacional gratuita para a população trans. É o Quebrada Atualizada. Afinal, além dos entraves no mercado de trabalho, o grupo também enfrenta barreiras no setor educacional, essencial para qualificação e ingresso no mercado profissional. De acordo com dados divulgados pela ANTRA (Associação Nacional de Travestis e Transexuais) em 2018, apenas 0,02% de travestis e transexuais estavam na universidade, 72% não possuíam ensino médio e 56% não completaram o ensino fundamental.

Segundo Vânia Aparecida da Costa, diretora acadêmica da FAEP, a ideia do projeto surgiu do interesse em oferecer bolsas acadêmicas para pessoas trans. No entanto, Vânia ressalta que, como muitas ainda não concluiram o ensino médio, a instituição pretende oferecer formação escolar, inicialmente. Para isso, ela pretende atendê-las por meio da parceria que a FAEP possui com o EJA (Educação de Jovens e Adultos) – modalidade destinada a todos aqueles que não completaram, abandonaram ou não tiveram acesso à educação básica –, a fim de oferecer certificação do ensino médio.

A instituição oferecerá 100 vagas gratuitas para a população de baixa renda, em seu entorno, e reservará 20% das vagas para as pessoas trans. “A ideia da reserva é que a formação seja um incentivo para que essas pessoas entrem no mundo acadêmico e assim possamos oferecer bolsas de estudo a elas”, diz Vânia.

A parceria FAEP-EJA acontece com o apoio do CIC Oeste (Centro de Integração da Cidadania), programa da Secretaria da Justiça e Cidadania do Estado de São Paulo. Edilaine Daniel, professora de Pedagogia da FAEP e diretora do CIC Oeste, é uma das pessoas que está auxiliando no desenvolvimento do Quebrada Atualizada. “O projeto vem atender uma demanda por escolaridade, principalmente dentro das periferias, já que muitos indivíduos não conseguem preencher vagas no mercado de trabalho, por não terem concluído nem a educação básica”, afirma Edilaine.

Além disso, a professora ressalta que muitas pessoas associam a questão da empregabilidade trans apenas a algumas profissões, como manicure e cabeleireira, no caso das mulheres trans, o que é um equívoco, já que muitas manifestam a vontade de ocupar outros espaços e cargos e, para isso, necessitam da escolaridade. Reflexões que foram ainda mais reforçadas em outra ação promovida pela FAEP, no dia 6 de outubro. A instituição realizou uma palestra online para todo o Brasil sobre os desafios enfrentados pela população trans no mercado de trabalho.  O evento contou com grandes palestrantes convidados pela professora e coordenadora dos cursos de Tecnologia da FAEP, Katia Cristina Marcolino, como Neon – primeira mulher trans a denunciar violências na Organização dos Estados Americanos - , T. Angel, trans não-binária, ativista de direitos humanos e dos animais – e Junior Carvalho – coordena a frente de Projetos/Parcerias e Empregabilidade na Casa 1 (República de Acolhida, Centro Cultural e Clínica Social LGBT).

Para a professora Kátia, nestes tempos tão conturbados e polarizados, há um desinteresse de uma parte da população em se informar sobre questões, como as necessidades das pessoas trans, ou ainda um acesso distorcido à informação, contribuindo para fortalecer a discriminação. “Eu acredito que muitos indivíduos não gostariam de ver certos grupos minoritários, para não refletir sobre seus problemas, ou seja, ‘aquilo que não quero ver, eu mantenho distante de mim’”, conclui.

As inscrições do Quebrada Atualizada estão abertas até o dia 30 de novembro. Para participar é necessário ter mais de 18 anos, ter concluído o ensino fundamental em escolas públicas, e preencher um formulário para avaliação. Acompanhe o edital na íntegra, clicando no link


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